quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

João Lourenço aconselha afortunados a repatriar dinheiro

Os angolanos que têm fortunas no exterior devem repatriar esse capital a partir do início do próximo ano, a fim de investirem no país, sob pena de verem o dinheiro confiscado para o Estado angolano.
O alerta foi lançado nesta quarta-feira pelo Presidente da República, João Lourenço, que falava na condição de vice-presidente do MPLA, no encerramento do seminário sobre os crimes a que os titulares de cargos públicos estão sujeitos.
Quem proceder dessa forma, segundo o estadista, não será interrogado das razões de ter tido o dinheiro lá fora, nem processado judicialmente.
João Lourenço apelou aos endinheirados para que sejam os primeiros a investir no país, demonstrando assim que são verdadeiros patriotas.
Durante o encontro organizado pelo Grupo Parlamentar do MPLA, advertiu que, findo esse prazo, o Estado sente-se no direito de o considerar dinheiro de Angola e dos angolanos e como tal agir junto das autoridades dos países de domicílio para tê-lo de volta.
No discurso, encorajou as entidades competentes que lidam com a luta contra a corrupção e o branqueamento de capitais a cumprirem com o dever de cada um perante a Nação.
“Que não se confunda a luta contra a corrupção com perseguição aos ricos ou a famílias abastadas. Os ricos são bem-vindos desde que as suas fortunas sejam lícitas”, reforçou João Lourenço.
O vice-presidente do MPLA defendeu que desta vez o Parlamento deve exercer de facto a sua função de fiscalizador do Executivo.
João Lourenço reconheceu que não é fácil combater a corrupção e antevê vários obstáculos nesse caminho.
Várias vezes aplaudido, afirmou que no caminho contra a corrupção existem interesses profundamente enraizados que podem pôr eventualmente em causa agentes públicos que colocam os seus interesses pessoais e de família acima do bem público.
O combate à corrupção foi uma das promessas mais veiculadas por João Lourenço, enquanto candidato do MPLA a Presidente da República nas eleições de Agosto último.
Durante a campanha eleitoral, João Lourenço afirmou-se com “coragem e determinação” para combater a corrupção.

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